The Social Network


Um filme sobre o facebook. Essa fora a premissa essencial que sustentou toda a minha expectativa até ver este novo trabalho de David Fincher e que pelos vistos não me deixou desiludida, muito pelo contrário. Fincher continua a ser um contador de histórias autêntico e a história da criação desta rede social combinou intensidade e complexidade ao seu criador (e personagem), Mark Zuckerberg, um génio da informática com uma personalidade aterradoramente decisiva. Baseado em relatos factuais, este filme conta com talentos como Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake e Rooney Mara e ainda um pouco mais: com banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross. Grande Filme. Recomendo.

La Vie en Rose


O trémulo da sua voz fez o seu reconhecimento como artista e pessoa. Falo de Edith Piaf, uma personalidade conotada como a encarnação de Paris e que é-me difícil escrever sobre tal pessoa. Nascera em 1918, abençoada com a sorte de possuir uma voz em bruto que captava todo tipo de variados ouvintes, Edith fora-se desenrascando nas ruas. Após uma infância perturbadora, é em Montamarte, Paris que ruge sobre a sua alma atormentada.
Aqui começa a fama, os encontros, a dor, o ócio, as vozes e os fantasmas. As suas quebras de loucura temperamental já caracterizavam o humor de Piaf muito antes da dependência de drogas e estupefacientes derivados, mesmo assim apaixonou-se, fez pela vida, sorriu ao amor, não descansara. Faleceu devido ao excesso, estava numa debilitação sem retorno. Uma biografia brilhante de Olivier Dahan com Marion Cotillard, Sylvie Testud, Palcal Greggory e Gérard Depardieu. Um tributo de valor real.

Ilha das Flores

A causa da existência da ilha das flores está neste documentário de apenas 13 minutos. Obra Cinematográfica datada 1989 do autor Jorge Furtado. Uma exploração descritiva em todas as suas justificações que sustentam o “porquê de”. Recomendo.

e o dia chegou...

... em que acabei de ver “Friends”. Também tal como li à quatro anos atrás no Cinema Notebook, aqui ficam as palavras que nunca soube escrever sobre esta serie: 

"Acabei, finalmente, de visualizar a décima e última época de Friends, a incontornável sitcom de David Crane e Marta Kauffman, e um enorme vazio apoderou-se de mim. A ideia de que possivelmente nunca mais poderei ver um episódio novo de Friends é simplesmente demasiado difícil de conceber.

O humor de Friends nunca teve a inteligência diabólica de Arrested Development ou a ironia mordaz de The Office, e nunca, por um momento, necessitou delas para ter sucesso. O seu maior trunfo foi sempre outro: um sexteto de personagens tão intensamente apaixonantes, tão simples e únicas, tão icónicas, que por si só carregariam qualquer série às costas. Ao longo dos anos, essas personagens cresceram, iniciaram e acabaram relações, saltaram entre empregos e viveram aventuras memoráveis, mas nunca se separaram e nunca deixaram de, no fundo, serem as mesmas pessoas imperfeitas mas ainda assim imediatamente adoráveis do início. Pelo meio, geraram um leque impressionante de running gags – os divórcios de Ross, o sarcasmo na ponta da língua de Chandler ou o How you doin’? de Joey – e imprimiram a sua marca na cultura popular como poucas.

Quando comecei a ver Friends, já há algum tempo que a série havia terminado a sua emissão original. Como tal, posso apenas imaginar como terá sido conviver com a mesma semanalmente, durante dez anos, desde o seu início, em 1994, até o final em 2004, e como terá sido difícil para os que o fizeram abandonar as personagens cujas vidas acompanharam durante uma década. Vi toda a série num período de pouco mais de um ano, durante o qual Friends se transformou de curiosidade em vício compulsivo – de tal forma que nutro um grande carinho mesmo pelas menos fortes últimas épocas, que culminaram numa algo decepcionante series finale. Porque nunca foi nem nunca será feito nada como Friends. Porque Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer nunca deixarão de ser Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross. E porque todos eles serão também, para sempre, meus amigos."


Por Fábio Jesus em Os Novos Pornógrafos

Oscars - The 83rd Annual Academy Awards


Na cerimónia mais vistosa de América e arredores o espectáculo fora muito e talvez o prestígio fora pouco. Sendo os Óscares considerado como o prémio que garante lugar no céu e na memória dos espectadores, alguns dos vencedores foram "aleatórios" (ou talvez imprevisíveis) e a dupla James Franco, Anne Hathaway apenas funcionou porque Hathaway é mesmo bonita. Quanto ao resto do entretenimento achei de valor sublinharem as recordações clássicas de vários momentos dos Óscares (porque ninguém apresentava os Óscares como senhor Bob Hope). "Alice in Wonderland" de Tim Burton fora o primeiro a ser reconhecido com a estatueta dourada. Na categoria de Best Achievement in Art Direction, esta fez sonhar até os mais exigentes. O mesmo filme receberia mais tarde o Óscar para Best Achievement in Costume Design (era a minha escolha predilecta). Wally Pfister fora finalmente reconhecido com o Óscar de Best Achievement in Cinematography pelo seu trabalho em "Inception". O glorioso filme de Christopher Nolan confirmou o burburinho de que este iria arrecadar todos os prémios técnicos, também acabou por ganhar Best Achievement in Sound Editing, Best Achievement in Sound Mixing e Best Achievement in Visual Effects. A vencedora Melissa Leo já era um pouco previsível como Melhor Actriz Secundária. "Toy Story 3" era certo e sabido como Melhor Filme de Animação."The Social "Network" sem surpresa em Best Writing, Screenplay Based on Material Previously Produced or Published e Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Score onde os parabéns a Trent Reznor são bem merecidos. Só não entendi como David Fincher não ganhou o Óscar de Melhor Realizador e no entanto o seu filme ganhou Best Achievement in Editing... a atribuição deste Óscar… não sei por onde comentar, alguém me dê uma boa razão (talvez eu esteja errada... foi só dar por dar um Óscar?!). Tal como na categoria de Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen onde creio que Christopher Nolan merecia mesmo. Na categoria de Best Foreign Language Film of the Year confesso que não estava à espera que “In a Better World”, um filme da Dinamarca, ganhasse tal como estava quase certa que Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song iria para A.R. Rahman pelo tema "If I Rise" do filme 127 hours de Danny Boyle mas o já famoso Randy Newman adquiriu mais uma estatueta para juntar a outro Óscar na mesma categoria, este por “Monsters, Inc.”. Best Performance by an Actor in a Supporting Role ganhou o favorito, Christian Bale pelo seu desempenho em “The Fighter”. “Inside Job” também já estava à espera, vencendo na categoria de Best Documentary, Features. Tal como Best Achievement in Makeup fez valorizar o género de cinema fantástico com Rick Baker e Dave Elsey por “The Wolfman”. Natalie Portman fora previsivelmente reconhecida, e ainda bem, Best Performance by an Actress in a Leading Role. O mesmo não poderei dizer com Best Achievement in Directing onde Tom Hooper fora o vencedor, tal como referi (por outras palavras) anteriormente, este vencedor era uma possibilidade e nunca considerado como um vitorioso calculável. Aos 51 anos, Colin Firth é reconhecido com o Óscar de Melhor Actor num Papel Principal; pode ter feito muitas comédias-românticas estúpidas mas este actor provou ter um historial notável como tantos outros e neste “The King’s Speech” é mais que notório a sua excelente performance como King George VI. Por isso é bem merecido. Por fim, na categoria de Best Motion Picture of the Year, “The King’s Speech” confirmou que este ano os britânicos apoderaram-se de todos os prémios e que a Academia esforçou-se demasiado este ano para dividir (ou subtrair?!) as estatuetas douradas. Tal como todos nós sabemos conscientemente que “The King’s Speech” é consequentemente comparado à vitória de 1989 “Driving Miss Daisy” nesta mesma categoria. E assim foi, desiludiu uns e não encantou outros. Para o ano há mais.