Robert Rodriguez, Quentin Tarantino. “Planet Terror” e “Death Proof” têm tudo o que esperava e o que não previa. No segmento “Planet Terror” fiquei mais surpresa do que na parte de Tarantino… talvez por já saber o plot da história antes de ter visionado o filme. Mesmo assim, ambos são óptimos. (não sei o que escrever. ajudem-me?)
am I a monster? am I young? am I normal? am I misunderstood? am I easy going? am I natural? am I horrible? am I fun? am I free? am I a bitch? am I a lover? am I capable? am I weird? am I carefree? am I worried? am I strong? am I real? am I incredible? am I here? am I clever? am I artistic? am I me?
Tudo começou em 1964 quando Edie Sedgwick (Sienna Miller) deixou Cambridge Art School para viver em Nova Iorque. Estava no sítio en vogue para modificar a sua forma de pintar. Até que na abertura de uma galeria, o artista Andy Warhol (Guy Pearce) ficou fascinado com a personalidade e beleza de Edie. Com a magia da “factory”, o hotspot dos artistas underground, Warhol começou a usar a energia inevitável de Edie para recriar mais uma vez a sua forma de arte e de filosofia perante a vida quodiana. Rapidamente, Edie tornou-se a 1ª e única musa de Andy Warhol, eram os melhores amigos, partilhavam a fama mas não a riqueza nem as origens. Eddie tinha memórias traumáticas dos seus tempos de infância e Warhol raramente falava sobre a sua família, limitava-se a respostas curtas, um pouco vagas. No pique da sua carreira, Sedgwick conheceu nas comuns wild partys um famoso musico. Este acabou por dar a Edie o amor e conforto que realmente precisava. Consequentemente, veio afectar a vida profissional (e não só) de Andy Warhol, começando por desprezar a sua musa, deixando-a na banca rota. Este é um filme de George Hickenlooper sobre a revolução a nível estético e principalmente sobre o up and down de uma senhora fascinante – Edie Sedgwick. 3 estrelas.
O mês de Agosto no Portugal profundo tem outro sabor, outra cultura; festividades atravessam as pequenas aldeias de lés a lés. Todas elas são bem populares como a velha tradição as concebeu, da noite faz-se festa, baile, bebe-se cerveja e vinho, conversa-se, engata-se, enquanto os imigrantes cruzam-se com gente da terra. Tânia e o seu pai, o senhor Domingos (Joaquim Carvalho), constituem uma banda de música popular, como todos os anos, o negócio vigora pelo interior do país na época alta mas desta vez, Tãnia (Sónia Bandeira) decide convidar o seu primo Hélder (Fábio Oliveira) para ser baixista da banda. De aldeia em aldeia, os dois primos vão descobrir algo mais para além dos interesses em comum e uma nova perspectiva da vida.
Como todos nós sabemos, o Verão é sempre inesquecível e o mês de Agosto é o ponto mais alto da estação. Nos primeiros minutos do filme de Miguel Gomes conseguimos elaborar um retracto social do interior de Portugal, em particular das festas destas pequenas povoações que influenciam vivamente todo o espírito místico da aldeia. Aqui deparamo-nos com o género documental no filme, isto é, um registo verdadeiro de quem fez da aldeia o que ela é hoje. Quando passamos para a ficção, a geografia deste mundo social que tanto retracta o Portugal rural torna-se mais palpável, mais real. A proximidade do espectador em relação à história do filme e às personagens é-nos entregue pela simples forma de uma paixoneta de Verão. Toda a adolescência de Tânia e Helder vê-se circunscrita num mês quente, onde as pessoas dançam, cumprem-se as tradições e a vida segue como o rio Alva.
Sempre com muita música e fanfarra, este trabalho da autoria de Miguel Gomes não só reflecte uma cultura não globalizada como obriga o espectador português a rever-se nas suas raízes e principalmente a auto-avaliar-se. Não só como cidadão europeu mas como ser humano no mundo porque afinal, se formos a algum lado temos de nos relembrar quem somos, de onde viemos.