The Hours

A obra de Michael Cunningham (vencedora do prémio Pulitzer) foi recentemente adaptada (2002) para o grande ecran; David Hare ficou encarregado do guião e Stephen Daldry tomou posse do lugar de realizador depois do sucesso de “Billy Elliot”.
“The Hours” é um drama de peso sobre a separação de mentalidades através do tempo… o tempo é o espaço que desfaz um possível consenso entre as mentes; basicamente cada ser tem o seu tempo e o que o separa dos outros são as horas. Esta é a tese de 3 mulheres que vivem em épocas diferentes; ordenando-as cronologicamente temos Virgínia Woolf (Nicole Kidman), Laura Brown (Julianne Moore) e Clarissa Vaughan (Merly Streep).
Começamos em 1923, Virgínia está a recuperar de um esgotamento nervoso quando começa a escrever o seu romance “Mrs. Dalloway” que mais tarde iria ser publicado. Já em 1951 Laura Brown, uma simples dona de casa americana lê “Mrs. Dalloway”, a influência do livro irá desencadear uma decisão fulcral na sua vida. 50 anos depois, mudamos de ambiente, estamos em Nova Iorque, Clarissa vai dar uma festa em honra do seu amigo poeta Richard que este encontra-se diagnosticado com o vírus da sida. Todas as histórias têm alguns pontos trágicos em comum e outros apenas por coincidência. Um último ponto a acrescentar: o único Óscar atribuído a este filme foi a mercês do desempenho de Nicole Kidman como actriz principal, sendo esta boa actriz, optava ter-lhe entregue o Óscar mais cedo, como por exemplo pelo seu papel em “Moulin Rouge!” encarnando Satine.

“You got a dream, you gotta protect it. (...)"

E se todos te virassem as costas? Mesmo os que mais amas?
Ias à luta? Ou consideravas-te vencido?
A história real de Chris Gardner, um homem dedicado à família que faz o seu melhor para a sustentar vendendo o seu aparelho de porta em porta. O tempo escasseia, a pressão de pagar impostos aumenta, a família desagregara-se, para não perder o filho, a sua destreza será testada…
Há quem diga que este filme apoia o famoso estilo “American Dream”… talvez sim, mas a busca da felicidade é um dos maiores desafios que jamais poderemos ter.
Com realização do italiano Gabriele Muccino e participação de pai e filho: Will Smith, Jaden Smith. Graças a "The Pursuit of Happyness" Will Smith foi nomeado para o Óscar de melhor actor na cerimónia dos Óscares deste ano.
Um dos melhores filmes de 2006.
Para mais detalhes leiam isto ou acedam ao site oficial.

Miyazaki's Spirited Away



Hayao Miyazaki, um contador de histórias soberbo, escreve e realiza os seus projectos na 7ª arte (como este por exemplo ou “Howl's Moving Castle”). A viagem da menina Chihiro ao mundo bizarro comandado por deuses e habitado por seres estranhos encantou o mundo, e também a Academia, tendo em 2002 recebido o Óscar de Melhor Filme de Animação.



A aventura da menina amedrontada de 10 anos começa na decisão de os pais mudarem de casa, na viagem rumo a uma nova cidade, a família perde-se ao tentar encontrar a casa nova. Cabem um caminho desconhecido por entre as árvores e descobrem um edifício abandonado, contra a vontade de Chihiro, os pais decidem explorar o recinto, encontrando numa cidade abandonada adiante um suposto restaurante. A partir daqui, os pais transformam-se em porcos, a cidade toma vida, aparecem vultos, Chihiro assustada corre para longe dali, mas o caminho por onde veio é agora um imenso rio. Cercada por este novo mundo estranho e desconhecido, Haku irá ajudá-la na sua jornada. Para salvar os seus pais, Chihiro irá abdicar do seu nome e prestar serviço no mundo dos espíritos, numa casa de banhos para estas criaturas místicas governada pela maléfica bruxa Yubaba. Na sua viagem nesta nova dimensão irá encontrar amigos e aliados que a irão ajudar a acreditar na sua força interior, ajudar seres inacreditáveis sempre empenhada em voltar para casa.
Um dos melhores filmes de animação originários da cultura japonesa, sem dúvida. Um filme mágico para todos os curiosos que gostam de se perder.


Hable con ella

Por amor faz-se qualquer sacrifício… e cometem-se as maiores loucuras. O filme “Hable con ella” realizado por Pedro Almodóvar consegue aliar as sensações e emoções que nos comovem profundamente. Estes sentimentos são complemento de universo feminino que sempre ocuparam os filmes de Almodóvar, as mulheres que tem vindo a retratar nos seus filmes, tornaram-se conhecidas pela expressividade com que se relacionam com o mundo e com os outros. Mas desta vez, as mulheres são vistas pelos olhos de dois protagonistas masculinos.
Benigno e Marco, dois desconhecidos que acabam sendo amigos pela ironia do destino: enquanto esperam com toda a esperança possível as mulheres por quem estão apaixonados – Alicia e Lydia – saírem do estado de coma, acabam por ter uma afinidade mútua. Apesar de serem amigos, Benigno e Marco, possuem ideias bastante distintas no que toca ao amor: Benigno possui uma espécie de amor platónico por Alicia, Ela é, no fundo, ele mesmo. Alicia encarna tudo aquilo que Benigno considera perfeito numa mulher; Marco em contrapartida, após o acidente da sua amada, não consegue esclarecer os seus sentimentos da relação com Lydia, e começa a ter dificuldades em lidar com ela estando numa cama de hospital. Ambos só podem fazer uma coisa enquanto esperam que acordem: falar com elas…
Mais tarde, Lydia acaba por morrer deixando Marco perturbado, não só pela sua morte mas também por ela ter reatado a relação com o ex-namorado antes de falecer, sem que Marco soubesse. Ainda no hospital, outra tragédia acontece, descobre-se que Alicia foi violada e se encontra grávida. Todos os factos apontam para Benigno como principal suspeito, o que de facto, é a verdade. Benigno é preso e suicida-se após alguns dias atrás das grades, leva para a morte a ilusão que teve em vida: a felicidade junto de Alicia, que suponha em coma. O que ele não chegou a saber é que foi ele mesmo que a salvou, despertando-a de novo para a vida, devido à gravidez.
O ambiente melodramático consegue mostrar a amizade de dois homens, tão diferentes entre si, que partilham a mesma dor, a mesma raiva e conseguem complementar-se/compreenderem-se mutuamente. Almodóvar cativa o espectador mostrando subtilmente as mentes das suas personagens, tornando filme inquietante pela forma de como dirige a simplicidade das emoções tão primitivas dos dois protagonistas, principalmente o sentimento inexplicável designado pela palavra: amor.