Silver Linings Playbook

Dois casos terminais psicológicos: Pat e Tiffany. Ambos com casos traumatizantes: casamento falhado, traição, morte, dupla personalidade, depressão, obsessão. Achei poderoso do ponto de vista do conflito de toda a história e a maioria dos diálogos são reais, crus e muito realistas. O filme oferece muito mais do que parece à primeira vista. Mostra perfeitamente duas personalidades diferentes de duas personagens que lidam com a bipolaridade diariamente. Do realizador David O. Russell baseado na obra literária de Matthew Quick com dois actores brilhantes: Bradley Cooper (actor que já nos habituámos a ver no grande ecran como um óptimo exemplar sobre o comprometimento do actor com o seu trabalho) e Jennifer Lawrence (actriz formidável que já conquistou meio mundo e que sinceramente pertence à minha lista de novas actrizes favoritas). A comédia-romântica do ano. Muito Bom.

Moonrise Kingdom


Nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original. Adoro toda a linguagem cinematográfica e abordagem visual do realizador Wes Anderson. Não sei quais os motivos para não gostar de "Moonrise Kingdom"... é-me complicado descrever algo que tanto admiro e gosto. Talvez deveria fazer mais vezes referência a Anderson como um dos meus realizadores favoritos. A banda sonora é de Alexandre Desplat. O argumento é do próprio Anderson com Roman Coppola. Achei magnífico. Com Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman, Jared Gilman, Kara Hayward e Bob Balaban. Vejam e explorem a cinematografia de Wes Anderson (é um culto para a vida).

Andy Warhol: A Documentary

Para quem não conhece, existe uma série americana que reina o terreno dos documentários biográficos desde 1985. A série "American Masters" reina até aos nossos dias e apresenta um leque variado de artistas, personalidades e pessoas que tiveram ou têm uma voz no mundo contemporâneo. Nesta lista infinita de episódios existe "Andy Warhol: A Documentary" de Ric Burns (que para além de ter criado esta série também criou "The American Experience"). Este documentário mostra uma abordagem do olhar de Andy Warhol, desde a origem ao artista que se tornou. Eu gosto de documentários (acho que este argumento é persuasivo e egocêntrico ao mesmo tempo). Thanks Andy.


Amour


Michael Haneke já não é um nome despercebido no cinema. "Amour" é difícil de explicar o porquê de gostar ou não gostar deste filme. Achei emocionalmente intuitivo graças aos dois grandes actores: Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Achei que toda a história não era uma ficção (e acho que só pode ser considerado "ficção" quando sabemos que esta história não foi de todo baseada em factos reais). No entanto, toda a linguagem cinematográfica aponta para uma realidade facilmente atingível pelo espectador. Acima de tudo, um filme genuíno. Vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes.

Angels in America


Um dos melhores filmes da HBO concebidos para televisão intitula-se "Angels in America". Realizado por Mike Nichols (realizador do filme "The Graduate") e escrito/baseado na obra teatral de Tony Kushner (argumentista de "Munich" e "Lincoln"). A banda sonora pertence ao compositor Thomas Newman. Em termos de sensibilidade humana, "Angels in America" é dos filmes/mini-série de carácter arrebatador no que toca aos textos adaptados. A filosofia do "fim" é bastante acentuada nos vários temas abordado ao longo do filme mas sobre-tudo é estabelecido o género dramático como conceito principal de todas as histórias envolvidas num mesmo enredo. Três dos meus actores favoritos pertencem ao elenco principal: Al Pacino, Meryl Streep e Emma Thompson. Infelizmente ainda não consegui adquirir um exemplar deste filme mas recomendo-o vivamente a todos. Arrisco na afirmação: uma das mini-séries de televisão/filme obrigatório.

textos sobre teatro (III)


Espectáculo em análise:

·       Eu não sou bonita. Eu sou o porco.
Concepção, direcção e espaço cénico: John Romão
Textos: Angélica Liddell e Paulo Castro
Interpretação e co-criação: Solange Freitas e John Romão
Desenho de luz: Daniel Worm d’Assumpção
Música: Daniel Romero
Vídeo: Luis De Los Santos
Fotografias: Susana Paiva
Co-produção: Colectivo 84, Festival Citemor, Vertigo
Projecto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian – Programa para as Artes Performativas, – Novos Encenadores


Texto:
            Actor, encenador, criador, performer. Assim é John Romão. No seu (ainda) curto reportório é possível encontrar trabalhos relevantes dentro e fora de Portugal (como por exemplo a colaboração com Romeo Castellucci na Biennale de Veneza 2011).
            Eu conheci John Romão à precisamente seis anos. Fui ingenuamente das primeiras candidatas a frequentar o primeiro workshop organizado por este mesmo encenador. Desde então o seu trabalho evoluiu e neste seu novo projecto decidiu trabalhar com a actriz Solange Freitas a solo.
            No espectáculo é-nos apresentado o dispositivo do corpo humano como objecto primitivo. O próprio encenador demonstrou interesse em juntar a imagem do corpo feminino com a ideia do surrealismo. Usando o corpo como dispositivo principal, a ideia de desejo é levada ao extremo: histórias de violação passam a contos de esventramento.
            Neste trabalho corporal lembrou-se do texto de Angélica Liddel que o ajudou a manter o registo confessional da personagem feminina que durante todo o espectáculo nos relata histórias horrorosas e absurdas com grande peso nos “incidentes” da sexualidade feminina (sendo a verbalização destas mesmas histórias um acto perverso e cru tal e qual como o tema exposto sem qualquer pudor ou tato na língua: sexo).
            Ainda na escrita do espectáculo, Paulo Castro fora desafiado a escrever sobre o abuso de menores. O resultado final fora um cruzamento com o texto de Angélica Liddel onde o guião do espectáculo manteve um registo denso com uma poética muito forte. Assim temos dois textos num só dispositivo. A partir daqui toda a construção cénica baseou-se no género trash americano, isto é, desde inúmeras cruzes néon suspensas no tecto, peluches quase esventrados espalhados pelo palco, pedaços de carne e peixe esventrados mesmo à nossa frente, o fumo quase espesso como algodão que interfere com a visão do espectador: a ideia de instalação sempre presente em todo o espaço tal como a performance, elemento base deste espectáculo.
Todos estes elementos são baralhados e confundidos na nossa mente com a pertinência de causar algum distúrbio seja este o medo, o espanto ou o desconforto de ver algo em cena com que não nos relacionamos mas que é difícil de atingir e a um certo ponto incomoda o olhar. Pessoalmente creio que o trabalho de John Romão possui uma assinatura de autor sempre assumida e nunca submetida a outrem, ao contrário de outros criadores performativos, Romão mantém a sua marca no teatro de performance e assim prossegue na sua evolução como artista sempre desconcertante, claro.

The Perks of Being a Wallflower

Stephen Chbosky tomou um grande risco ao realizar este filme. Para além de ser o autor da obra literária com o mesmo titulo assumiu o papel de guionista e realizador da sua própria obra. São poucos os autores literários que possuem produtos diferentes do mesmo material realizado por eles próprios. Mas o mundo do cinema não é novo a Stephen Chbosky, dado que este assinou o argumento do musical "Rent" e é um dos criadores série televisiva "Jericho". Mas deixe-mo-nos de pormenores. "The Perks of Being a Wallflower" é com certeza um dos filmes de 2012 a serem vistos na perspectiva de uma nova abordagem à adolescência. Neste caso nos acontecimentos do triângulo amigável de Charlie, Sam e Patrick. Somos conduzidos pelo olhar e pelos pensamentos de Charlie, pois é ele o autor desta história. Recomendo vivamente porque vos vai surpreender pela positiva (mais do que o trailer ou a sinopse etc. vale mesmo a pena ver este filme pelo que simplesmente é.) Com Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller. 4 estrelas.