Marina Abramović: The Artist Is Present


Um documentário lindíssimo. Realizado por Matthew Akers e Jeff Dupre. Marina Abramović explora a conexão entre a performance e o espectador. Creio que este é o elemento principal que cria uma curiosidade e atenção ao trabalho e ao legado desta artista. Explorando a série de documentários da HBO reencontrei este filme, o qual achei fantástico. Aqui exploramos o trabalho de Marina Abramović contando com as suas inspirações, a sua filosofia, a sua interpretação do mundo, a sua Arte. Sobre a preparação da sua retrospectiva na MOMA (The Museum of Modern Art in New York). Esta mulher é um fenómeno.

textos sobre teatro (II)


Espectáculo em análise:

·       Pregação

Criação : Alexandre Pieroni Calado
Vozes : Hugo Betencourt, Iolanda Laranjeiro, Sandra Hung, Tiago Mateus.
Registo Áudio : Tiago Inuit
Edição Vídeo : João Ferro Martins
Fotografia : Carolina Thadeu
Comunicação : Miguel Pacheco Gomes
Produção : Artes e Engenhos
Apoios : Câmara Municipal de Almada, Faculdade de Ciências e Tecnologia – U.N.L., NNT – Novo Núcleo Teatro, Teatro O Bando, Comuna Teatro de Pesquisa.
Residência Artística : Oficinas do Convento, Atelier Real


Texto:
           Após a sua estreia no Teatro da Comuna, a 16ª Mostra de Teatro em Almada recebeu o novo espectáculo de Alexandre Calado, “Pregação”.
            Digamos que o verbo “pregar” foi induzido à sua origem. Neste ano de 2012 tive a oportunidade de trabalhar com este encenador num projecto de teatro universitário. Dado às horas de trabalho envolvidas, existia uma ideia que o próprio Alexandre não conseguia esquecer, uma ideia que se baseava numa espécie de manifesto ou ensaio. Tudo isto baseado na obra de Padre António Vieira: “Sermão de Santo António aos Peixes”.
            Esta ideia florescia à medida que pesquisava mais sobre a origem e o desenvolvimento deste documento do autor Padre António Vieira. Então aí fez um aprofundamento de costumes da altura em Portugal (séc. XVII) e corelacionou este tão famoso sermão de Santo António aos homens, isto é, o autor impôs a hipótese de fazermos a analogia entre os peixes e os homens/a condição humana. Estes últimos dados foram recolhidos de material de pesquisa presente antes do espectáculo (estavam à disposição no espectador fora da sala de espectáculo) e lembranças de alguns momentos convividos com o próprio Alexandre Calado.
             
A experiência do espectáculo em si, faz não só relembrar toda a informação acima descrita (ou seja, não consigo desconectar o conhecimento à priori do trabalho deste encenador e da sua pesquisa à análise deste seu novo espectáculo) como consegue passar a mensagem na forma de um manifesto antigo que relata as virtudes que dependem de Deus versus as virtudes naturais dos peixes/homens. Este é o desafio.
            Mais tarde, ao analisar as características específicas de cada peixe, as metáforas proferidas são cada vez mais intensas e direcionadas a um conjunto humano com características concretas: a plebe, o governo, os artistas, entre outros dominantes. Segue-se a comparação entre os peixes e o próprio Santo António, o qual afirma substancialmente a sua conexão intima com Deus distinguindo-se dos peixes, os parasitas. Ao longo de todo o espectáculo é-nos relembrado e repetido vezes sem conta quem é quem: Os Roncadores (representam o Orgulho); Os Pegadores (os que vivem dependentes); Os Voadores (vivem com ambição); O Polvo (simboliza a traição). Todo o lado estético do espectáculo também o é bastante simples com especial foco numa pequena instalação que contém todos os elementos simbólicos e necessários para relatar este ensaio sobre o “Sermão de Santo António aos Peixes”.
            Todos estes elementos encontram-se reunidos neste novo trabalho de Alexandre Calado que vale a pena experienciar, não para observar/estudar o “Sermão de Santo António aos Peixes” mas para estar disponível a um novo olhar sobre esta obra (como é óbvio, é quase requisito obrigatório que antes de ver este espectáculo que se conheça ou que se tenha estudado em tempos esta mesma obra da autoria de Padre António Vieira).

The Enigma of Kaspar Hauser


Durante os anos 70, Werner Herzog era um realizador bastante diferente. O expressionismo alemão como marca de alguns dos seus filmes e uma cinematografia ainda fresca, Werner Herzog tornou-se não só um dos mestres de cinema documental como tornou a ficção "à sua maneira" num dispositivo com mais poder dramático no enredo das suas personagens. "The Enigma of Kaspar Hauser" é o início desse mesmo poder, a marca dos actores em todo um expressionismo alemão bastante assente em toda a performance (contagiando o tom do filme), mostra uma época diferente onde se contavam histórias numa linguagem cinematográfica da época. Esteve na competição de Cannes. Com Bruno S., Walter Ladengast e Brigitte Mira.

Orlan, carnal art


Orlan é uma artista francesa, super conhecida por usar o seu corpo como dispositivo artístico. Este documentário de Stéphan Oriach mostra o desenvolvimento de um dos trabalhos mais controversos da artista - The Reincarnation of Saint-Orlan. Chocante e incómodo para algumas pessoas... creio que só prende a atenção aos verdadeiros amantes das artes plásticas (e que já viram um bocado de tudo).

The Godfather


Existem várias trilogias quase que obrigatórias a serem estudadas por quem gosta de cinema. Já passaram alguns anos desde que dissequei "The Godfather", "The Godfather: Part II", "The Godfather: Part III". Não vou publicar as notas da dissertação mas deixo aqui a referência: antes de uma geração anos 90 existiam grandes actores e influências que marcaram o mundo do cinema e da performance. Começando em 1972 e acabando em 1990, para Francis Ford Coppola fora crucial definir o carácter épico da obra literária de Mario Puzo. Faz parte dos clássicos obrigatórios. Gosto porque cria um grande respeito pela história do cinema (e quando dizem, sem pensar, que talvez um dia, o cinema fique extinto, têm de reflectir na possibilidade de enquanto houver histórias para contar haverá cinema).

Katy Perry: Part of Me

Existem vários guilty pleasures. Um de muitos é o gosto pela música pop. Deixo por escrito que não sou fascinada pela Lady Gaga mas ter musicas da Madonna no ipod já ajudou em certas situações. Por esta e por muitas outras razões às vezes considero novas caras/novos tipos de música pop. Ouvi Katy Perry graças a um amigo típico londrino (daqueles que gosta muito de dançar). O primeiro álbum foi apenas uma introdução para o segundo sucesso: "Teenage Dream". Este documentário bastante simples co-produzido pela MTV Films mostra os bastidores da equipa Perry e da vida pessoal de Katy. Gostei do filme pelo facto de confirmar que Katy Perry mantém o seu registo como cantora pop e esperemos que seja assim durante muitos anos (ser original no mercado de massas é difícil mas vale a pena).