textos sobre teatro (IV)

Espectáculo em análise:

·       Por causa da muralha, nem sempre se consegue ver a lua

Criação: Teatro Meridional
Encenação: Miguel Seabra
Interpretação: Carla Galvão, Romeu Costa, Rui M. Silva, Rui Rebelo, Susana Madeira, Vítor Alves da Silva
Espaço Cénico e Figurinos: Marta Carreiras
Música Original, Espaço Sonoro e Seleção Musical: Rui Rebelo
Desenho de Luz: Miguel Seabra
Assistente de Encenação: Marta Carreiras
Assistente de Cenografia: Marco Fonseca
Montagem: Marco Fonseca e Nuno Figueira
Operação Técnica: Nuno Figueira
Produção Executiva: Natália Alves
Direção de Produção: Maria Folque
Coprodução: Teatro Meridional – Associação Meridional de Cultura e Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012
Direção Artística: Teatro Meridional, Miguel Seabra e Natália Luiza



Texto:

            Neste espectáculo de Miguel Seabra existe uma nova realidade. Quero com isto referir-me a um mundo paralelo ao nosso, inerente aos nossos costumes diários com a particularidade deste se encontrar num plano com significado (entenda-se por “significado” como algo simplesmente definido pelo que é – independentemente pela sua razão de ser ou pela sua temporalidade). As coisas são como são.
            As características portuguesas enraizadas são o mote dos quadros deste espectáculo. Desde o mercado popular às danças tradicionais passando pelo futebol, todos estes elementos são apresentados de maneira simples, concisa e justa - apelando aos mais diversos níveis a apreciação do espectador – aqui não existe uma descrição específica ou um julgamento concreto de cada acção. Pois cada elemento do espectáculo deixa espaço para a opinião de quem observa e estende a sua acção ao longo de todo o espectáculo.
            As movimentações do actores sobre o espaço são metódicas e repetem-se constantemente num ciclo mímico/gestual sem fim. Todas estas movimentações são executadas maioritariamente com uma interacção não só entre actores como entre objectos do espaço físico. Através de movimentos limpos e precisos é possível acompanhar toda uma poética do corpo do actor em palco: encruzilhando a dança e o teatro.
Dentro deste dispositivo complexo existem signos/simbologias  difíceis de menosprezar. A constatação da presença física da cidade de Guimarães é o elemento místico que influencia todo o espectáculo. O espectador é transportado numa jornada de sensações e não numa narrativa coerente/precisa/exacta. Existem poucos espectáculos com este tipo de genealogia específico. Vale a pena ser visto e apreciado por todos os que desejam sair da formatação convencional de uma peça de teatro.

City of God


Imagino que existem muitos filmes os quais já se escreve tudo. Quando não sabemos elaborar mais uma crítica racional sobre determinado filme ou espectáculo, caminhamos para a experiência pessoal. Devo dizer que "City of God" (Cidade de Deus) é dos meus filmes favoritos por muitas razões: o facto de não ser só um filme de acção banal (isto significa, como todos sabem, que os acontecimentos desta história aconteceram no início dos anos 60 no Rio de Janeiro), a complexidade da edição deste filme (que na minha modesta opinião é extremamente brilhante), a entrega dos actores aos personagens (o casting não podia ser melhor). Neste filme tudo funciona a favor da visão do realizador Fernando Meirelles e Kátia Lund. Baseado na obra de Paulo Lins. Mais de 5 estrelas. Não vale a pena referir que recomendo porque 'tá na cara.

yeah today is my birthday

Today I turn 23 years old and as far as I can say, life itself gets so much better from the point where you stand right now. It doesn't matter your age, education or where you came from. Being yourself is the one unique, wonderful thing we can all do. Breath, take it all in, open your eyes and be it.
 

Florbela


Florbela Espanca sabia mais do que poesia. Esta autora reconhecia o verdadeiro poder das palavras. A sua personalidade marcou outras entidades da época e o seu trabalhou continua a cativar leitores de todas as idades. Um filme de Vicente Alves do Ó com a cinematografia excepcional de Luís Branquinho. O destaque da actriz Dalila Carmo é óbvio e relevante nesta sua interpretação de Florbela. Recomendo.

Like Water


Um documentário do realizador Pablo Croce sobre o pugilista Anderson Silva. Recomendo a todos. Permite conhecer o que é realmente o espírito e o mercado da UFC (Ultimate Fighing Championship), principalmente o poder de manipulação dos media neste tipo de torneios de artes marciais onde a violência barata é garantida e desnecessária do ponto de vista humano. Ao conhecer Anderson Silva realmente percebemos o que é ser um atleta com reportório, fama e muita disciplina e respeito pelo seu trabalho. Não conheço nenhum pugilista de renome mas este nome será sempre recomendável porque um atleta que mantém os seus valores independentemente de ter o reconhecimento mundial ou não, só pode ter um valor para lá do inimaginável. 

Keep the Lights On

Um filme de Ira Sachs sobre dez anos de cumplicidade entre Erik e Paul. Uma jornada emocional entre vícios, amor, sexo e todos os desafios que a vida impõe.

Pain Is Inevitable, Suffering Is Optional


"American Mary", tem muito que se lhe diga, pela positiva. Jen Soska e Sylvia Soska conseguem por os ingredientes básicos de um bom slash movie no seu melhor: a vingança de uma mulher, sangue por todo o lado e uma personagem suficientemente atraente para nos agarrar à história bastante "simples" de Mary. Adorei a actriz Katharine Isabelle e a direcção de fotografia de Brian Pearson. Recomendo.