Beasts of the Southern Wild


Comecei a considerar o realizador Benh Zeitlin como um cineasta a ter em atenção nos próximos tempo. A sua primeira longa-metragem, "Beasts of the Southern Wild", teve vários prémios e atenções especiais no festival de Sundance; não fosse o filme ter das melhores performances infantis: a actriz Quvenzhané Wallis. O papel do pai desta criança é interpretado por Dwight Henry. Um filme poético e completamente íntegro nas relações entre personagens. Gostei e recomendo. Também em ter a atenção a banda sonora de Dan Romer.

textos sobre teatro (I)

Espectáculos em análise:

·       O Mercador de Veneza
Intérpretes Albano Jerónimo, João Reis, Sara Carinhas, Pedro Penim, Lígia Roque, Pedro Frias, Ivo Alexandre, Maria João Pinho, André Gomes, André Albuquerque, Daniel Fialho e Eduardo Breda
Tradução Daniel Jonas
Versão livre Ricardo Pais, Daniel Jonas
Cenografia Pedro Tudela
Figurinos Bernardo Monteiro
Música Vítor Rua
Desenho de som Francisco Leal
Desenho de luz Nuno Meira
Assistência de encenação Manuel Tur
Preparação vocal e elocução João Henriques

·       Feedforward
Criação Cecília Henriques, Luís Lucas Lopes, Raimundo Cosme e Rita Chandre
Figurinos Marta Passadeiras
Vídeos Filipa Organón
Cenografia Pedro Tudela
Iluminação Rui Daniel


Texto:
            Nos tempos que correm nota-se uma vulnerabilidade nas pessoas, observa-se uma regressão dos seus hábitos de rotina, parece que cada membro da sociedade decidiu tomar uma decisão ao mesmo tempo: “Não vou acreditar em nada... para quê?! Porquê?! Será que ainda faz sentido?”.
            Os dois espectáculos que presenciei obrigam a uma vasta reflexão sobre a falta de fé em nós mesmos e sobre a necessidade de nos justificarmos perante os outros mas será mesmo necessária essa autoavaliação? Não estaremos nós seguros do nosso presente e crentes do nosso futuro? 


No espectáculo Feedforward é-nos apresentada um panorama credível sobre o futuro da humanidade. Mostrando que a futurologia não é adivinhação, é uma ciência que avalia o futuro e as suas possibilidades. Como devem imaginar todo o discurso do espectáculo é bastante ambíguo e faz questão de entrar na razão do espectador, quero com isto dizer que eventualmente chegamos a um ponto onde já não conseguimos afirmar as certezas do futuro, já não conseguimos acreditar na mensagem que as duas personagens declamam, pelo contrário, começamos a odiá-las profundamente. Pessoalmente, comecei com a urgência de querer intervir naquele discurso demasiado certo sobre o nosso futuro, apetecia-me fazer ali um manifesto mas (óbvio) contive-me, presenciei o resto da performance e sai da sala do espectáculo com a necessidade de mudar alguma coisa. Porque lá no fundo, eu não queria que o futuro fosse tão certo e absoluto, gostava que o futuro fosse algo misterioso mas coerente na minha cabeça. Nesse momento percebi que se tivermos o conhecimento de quem somos, talvez possamos prever o futuro de maneira cautelosa e racional sem indicar sinais de influência provenientes de outrem...
            No espectáculo O Mercador de Veneza presenciei isso mesmo. Uma autocritica constante e subversiva à identidade de cada um. Quem somos nós para julgar o que quer seja? Quem sou eu para dar opinião? Quem sou eu?
Devo referir que a obra de William Shakespeare não me era de todo desconhecida. O primeiro contacto com O Mercador de Veneza deu-se no cinema em 2005 quando o monólogo de Shylock, (interpretado por Al Pacino) onde este defende a sua posição como judeu, pôs-me a chorar como nunca, óbvio que não estava à espera de uma reacção semelhante ao mesmo monólogo mas desta vez interpretado por João Reis, emocionei-me de maneira diferente mas o conteúdo da mensagem estava bem presente. Existe uma conspiração interna no fenómeno de identificação com a personagem de Shylock, apesar da sua educação, dos seus valores e da exigência específica na execução de António, existe por parte do público uma piedade única por este ser humano, Shylock não lamenta o facto de ser judeu mas afirma assertivamente os seus costumes, as suas raízes, a sua fé.
Felizmente é exactamente nesse ponto onde todos temos de acreditar. Porque no final de tudo só nós próprios temos o poder de mudar o que quer que seja, só a opinião de cada um irá dar voz a uma mudança, só assim podemos continuar. Não são as forças exteriores que nos prendem nem a culpa pertence aos magistrados. Aceitemos a culpa, aceitemos quem realmente somos, admita-mos o presente e lutemos pelo futuro.

Invasion of Alien Bikini


"Invasion of Alien Bikini" do realizador japonês Oh Young-doo capturou-me a atenção (e com razão). Dado à sua estética peculiar na imagem , este filme, ganha pontos ao apresentar uma história quase descabida com duas personagens suficientemente interessantes, as quais mantém o mesmo "tom de espírito" ao longo do filme. Já tinha visto vários filmes japoneses mas nada se compara (literalmente) a este. Adoro o lado bizarro deste género cinematográfico. Vale a pena explorar a (ainda pequena) filmografia de Oh Young-doo.

Love and Other Drugs

Um filme de Edward Zwick com Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway. Sobre as regras de "conhecer alguém", "ficar com alguém"... o receio de "saber estar" com outra pessoa e acima de tudo, o medo de confiar no outro para além de nós próprios... será que conhecemos os sintomas de estar apaixonado?

Cloudburst

"Cloudburst" de Thom Fitzgerald foi uma surpresa na sala de cinema. Não estava à espera de rir tanto e sentir que o género good feeling movie deveria ser mais frequente encontrá-lo por aí...


Com grandes interpretações de Olympia Dukakis e Brenda Fricker, aqui nascem duas personagens muito simples e reais, Stella e Dotty, um casal lésbico com 31 anos de cumplicidade. Numa road trip com algumas peripécias, as duas mulheres decidem, finalmente, casar-se no Canadá, eplo caminho encontram o futuro padrinho de casamento, Prentice (interpretado por Ryan Doucette). Um filme mesmo bom e recomendável a todas as idades. Vejam e divirtam-se.

To Rome with Love


O nome do realizador Woody Allen tornou-se um passaporte para viajar pelo mundo. Diga-se de passagem que os seus retratos cinematográficos das cidades europeias são os mais aliciantes possíveis. Neste caso estamos em Roma, capital de Itália. Com múltiplas histórias na manga, um elenco de actores fabuloso e muito amor para partilhar. Woody Allen assume-se assim, num registo mais relaxado, tudo o que o universo italiano tem para dar. Não é um clássico mas gostei. Não há nada como viajar com o nosso Woody.