On The Air. Unaware.

Andrew Niccol escreveu o argumento, Peter Weir realizou o filme e Jim Carrey protagonizou a personagem Truman Burbank. "The Truman Show" é um clássico de 1998 que esboça uma ideia original: imagine que tudo o que o rodeia não passa de um reality show. Esta é a realidade de Truman que desconhece a sua identidade como estrela de televisão publica. 24 horas por dia desde o seu nascimento, o mundo acompanhou a sua vida. A personagem interpretada pelo excelente Ed Harris fica-nos na memória tal como o monólogo inicial do filme. Esta manipulação da vida real revela uma moral do filme: desafia uma verdade universal absoluta - o direito à vida. Para ver e rever.

Super 8

Num Verão recheado de blockbusters, sequelas e superherois eis que "Super 8" destaca-se. Porquê? Comigo o burburinho da curiosidade fez-se sentir com o primeiro teaser, patrocinado por Steven Spielberg, o realizador J.J.Abrams viu a sua terceira longa metragem a ser conduzida por um grupo de pré-adolescentes. Isto é de certo novidade para o realizador dado conta que os seus últimos projectos foram baseados em material televisivo.


"Super 8" garantiu da melhor forma a expectativa que depositei sobre o filme após ter acompanhado o processo de desenvolvimento do mesmo. Também gostei da surpresa de Michael Giacchino, creio que não tinha ouvido o compositor em algo mais maduro (em contraste com as colaborações da Pixar). Merece ovações por ser uma aventura garantida, pelas personagens sólidas e pelo fantástico proeminente de J.J.Abrams. Com Joel Courtney, Elle Fanning, Ryan Lee, Riley Griffiths, Gabriel Basso, Zach Mills, Kyle Chandler e Amanda Michalka.

The Silence of the Lambs

Baseado na obra de Thomas Harris, realizado por Jonathan Demme, "The Silence of the Lambs" é um clássico não só devido ao talento nato de Jodie Foster como a um dos mestres do teatro, performance e cinema, Anthony Hopkins, claro. Mas o que faz este filme ser tão poderoso e genial ao mesmo tempo? Algo que se vê na imagem deste filme que pode não ser relevante para o espectador mas para um amante ou aprendiz de cinema é um facto curioso: a Direcção de Fotografia. Neste caso estamos a falar do trabalho de Tak Fujimoto que conseguiu criar um ambiente intenso que acompanha o medo e receio que vive em cada personagem devido à personalidade de Dr. Hannibal Lecter, algo único neste thriller de gema. Foster é sempre bela e perspicaz na sua performance e relembra-me constantemente do intrigante e super memorável poster do filme. Hopkins, como já disse (mas por outras palavras) será sempre um mestre na arte de representar. A acompanhar, as melodias criadas pelo compositor Howard Shore. Este filme foi vencedor de cinco Óscares na cerimónia de 1992.

Bridesmaids


Aparentemente, Kristen Wiig é a nova sensação da comédia americana. Tanto na representação como na escrita de argumento, Wiig já provou ser perspicaz no seu humor e bem capaz de liderar uma longa-metragem. "Bridesmaids" é realizado por Paul Feig e produzido por Judd Apatow e ao ler algumas das críticas na estreia do filme levantaram a fasquia em relação à comédia e os trailers não eram assim tão maus. Mesmo assim, após ter visto o filme: sim, é verdade que é bem mais divertido que o trailer e existem peripécias com muito humor mas achei demasiado terem classificado como o "The Hangover" do ano. Too much overrated. Um grupo de amigas ou apenas alguém com muito sentido sentido de humor vai de certeza gostar do mais recente trabalho de Paul Feig.

Summer Wars


No que toca a anime nunca fui especialista. Apenas apreciei este tipo de animação desde infância mas "Summer Wars" de Mamoru Hosoda é visualmente desafiante ao combinar dois (ou talvez mais) tipos de animação. Acima de tudo achei este filme como um visionário criativo de ver para crer.

The Hangover Part II


Difícil é repetir a fórmula. Pegando nas personagens criadas em parceria por Jon Lucas e Scott Moore eis que a matilha está de volta. Após dois anos de sossego Phil, Stu, Alan e Doug reúnem-se desta vez em Banguecoque não só para um casamento como uma noite promissora recheada de acontecimentos pouco sóbrios que irá conduzir as nossas personagens ao descalabro da famosa ressaca. É verdade que coisa menos coisa diz-se quase igual à primeira parte da sequela mas este "The Hangover Part II" não desilude, aliás, mantém o humor descontraído do primeiro filme acrescentando mais um pouco de acção hollywoodesca de modo a aproveitar o panorama da capital tailandesa. Se estão dispostos a rir do mesmo mas sem condenar o realizador Todd Phillips deverão gostar deste novo filme; e confirma-se, já existem rumores de uma terceira parte para 2013... não sei não...

Shaun of the Dead


Verdade! Já vi tudo o que há para ver até à data de Edgar Wright. Realizador hiperactivo de uma nova geração, Wright estreou-se e ganhou notoriedade com "Shaun of the Dead" em 2004. Um filme sobre a rotina de Shaun, uma pessoa como tantas outras que vê-se obrigado a sobreviver num apocalipse de zombies. Ao inicio não estava à espera de gostar tanto do filme mas claro, o elemento Wright não deveria (deve!) ser desprezado. A dupla Simon Pegg e Nick Frost continua gloriosa nos dias de hoje. Tanto como actores ou argumentistas deverão ser seguidos. Obrigado Wright.

I Love Artists, etc

Um texto de Ricardo Basbaum.




WARNING:



Be aware of this vocabulary distinction:
(1) When a curator is a full-time curator, we should call her/him a “curator-curator” when the curator questions the nature and function of her/his role, we should write “etc.-curator” (so we can imagine several categories: writer-curator, director-curator, artist-curator, producer-curator, agent-curator, engineer-curator, doctor-curator, etc.).
(2) When an artist is a full-time artist, we should call her/him an “artist-artist” when the artist questions the nature and function of her/his role, we should write “etc.-artist” (so we can imagine several categories: curator-artist, writer-artist, activist-artist, producer-artist, agent-artist, theoretician-artist, therapist-artist, teacher-artist, chemist-artist, etc.).
The above presupposes that a “curator-curator” (or even an “artist-curator”) works differently than a “curator-artist.” It is starting from this point that I’d like to comment on the proposed statement: “The next Document should be curated by an artist.”

* * * * *

Perhaps because I consider myself one of them.
Artists, etc don’t fit easily into categories and are not so easily packaged for traveling around the world, due most of the time to several compromises that reveal not simply a busy agenda, but strong links to local art circuits they are immersed in. I see the “etc.-artist” as a further development of the “multimedia-artist” that emerged in the mid-1970s, mixing the Fluxus “intermedia-artist” with the “Conceptual-artist” - today, most of the (interesting…) artists could be considered “multimedia-artists,” but for “speech” reasons they are referred to only as “artists” by the specialized literature and media. “Artist” is a word with multilayered meanings (the same is true with “art” and related words, such as “painting,” “drawing,” “object”) - that is, it has several meanings at the same time, though one writes it always the same way. Its multiple meanings are invariably reduced to a strong and dominant one (with the obvious help of a majority of conformist readers). Therefore, semantic differentiation needs to be made. The “etc-artist” even brings to the forefront connections between art and life (e.g., Kaprow’s “un-artist”), art and communities, opening a pathway for a curious, rich mixture of casual and singular circumstances, cultural and social differences, and ideas. If the next Document is to be curated by an artist, we should expect to find an etc.-artist working as a curator-artist.

When artists curate, they cannot avoid mixing their artistic investigations with the proposed curatorial project: for me, this is the strength and singularity they bring to curating. The event can have a chance to become clearly embedded in a network of proximate knots, enhancing the circulation of “sensorial” and ”affective”energy - a flow which the field of art has managed to comprehend in terms of its economy and circulation.
If a curator-artist should plan/direct/curate the so-called “major contemporary art event in the Western art world,” s/he has to include, beyond the various types of artists (with strong sympathy for etc.-artists), contemporary thinkers from different disciplines (to art critics: “either you are a sensorial-thinker or you don’t exist”), and a whole set of non artists, including people working in any field of research or occupation anywhere in the world. These people would not be producing art at all, but would be involved with the artists/artworks in a permanent forum/fair for real-time thinking (for more than 100 days), jointly producing sensorial provocative acts (SPACTs). Digital support is a fundamental requirement here. With such a dynamic, who would care about the “public”? 

The event would not be open to the public, but would be dedicated instead to “internal consumption” - this self-enclosure should be understood as a recognition of the failure of the “public sphere” and its transition into a new kind of post public arena (collective-multitude-community-friendship diagram), a gesture to be assumed as a necessary provocation with the aim of seeking new forms of relating to the audience. We want the visitors that do come in to be subjects of a changing process during (and after) the event, and to develop some sort of responsibility and compromise toward it. A final proposal is that Document should leave the city of Kassel and begin a world tour, spending six months in certain cities within the five continents, coordinated by a team of local etc.-artists. When it finally returned to its original site (should it come back to such a place called “origin”?), there would be enough material for a series of film documentaries about what role contemporary art should play in today’s changing world, to be appreciated safely at home on TV by every family in the world.

I do love artists, etc. 

Maybe because I consider myself one of them, and it’s not fair to hate myself.