The Merchant of Venice

Após terem-se esgotado palavras, as apreciações das obras de William Shakespeare eis que o grande ecran valoriza e preenche as palavras do autor. Este é mais um bom grande exemplo do seu legado. De Michael Radford “The Merchant of Venice” é um filme de drama clássico e histórico muito bem sintonizado com a obra original onde Al Pacino, Jeremy Irons, Joseph Fiennes e Lynn Collins dão o ar da sua dramaturgia ao público; e se a perfeição não existe, Al Pacino está muito perto de a atingir (tal como no longo legado da grande senhora Judi Dench, minha favorita). A acrescentar: do mesmo realizador espera-se a adaptação de "King Lear", a qual já se encontra em fase de pré-produção.

Kamikaze Girls



Para contar a história de Momoko Ryugasaki é preciso voltar atrás ao séc. XVIII onde o período Rococó prosperava em França; e para apresentar Momoko é preciso ser selectivo nas palavras… mas cá para mim esta é uma menina com fetiches. Uma história de Nobara Takemoto realizada por Tetsuya Nakashima sobre a amizade peculiar. Sobre sonhos e conquistas. Direcção de fotografia também peculiar e divertida. Recomendo.

Nowhere

A 3ª parte de uma trilogia, do realizador Gregg Araki, as tensões da geração jovem dos anos 90 numa forma super estilizada com acessórios, fetiches e perturbações. Uma saturação constante, um drama trashy. Assumir a adolescência como vírus malicioso.

A thing of beauty is a joy forever.

Jane Campion é uma cineasta de se admirar. Os seus fãs incondicionais têm pontos de vista mais fulcrais no seu cinema, eu, pelo menos, gosto da sua beleza natural. Todas as imagens que induz parecem ser romanceadas por alguém que nos é desconhecido.


“Bright Star” é um romance típico do séc. XIX. Um dilema clássico da época onde Fanny Brawne apaixona-se inevitavelmente pelo poeta John Keats. Para quem não conhecia um dos melhores poetas românticos da literatura inglesa aqui fica a sugestão da história de um romântico e dos seus versos à sua amada. Um filme acima de tudo sincero com o seu público também com uma belíssima direcção de fotografia. Com Abbie Cornish e Ben Whishaw.

The Social Network


Um filme sobre o facebook. Essa fora a premissa essencial que sustentou toda a minha expectativa até ver este novo trabalho de David Fincher e que pelos vistos não me deixou desiludida, muito pelo contrário. Fincher continua a ser um contador de histórias autêntico e a história da criação desta rede social combinou intensidade e complexidade ao seu criador (e personagem), Mark Zuckerberg, um génio da informática com uma personalidade aterradoramente decisiva. Baseado em relatos factuais, este filme conta com talentos como Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake e Rooney Mara e ainda um pouco mais: com banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross. Grande Filme. Recomendo.

La Vie en Rose


O trémulo da sua voz fez o seu reconhecimento como artista e pessoa. Falo de Edith Piaf, uma personalidade conotada como a encarnação de Paris e que é-me difícil escrever sobre tal pessoa. Nascera em 1918, abençoada com a sorte de possuir uma voz em bruto que captava todo tipo de variados ouvintes, Edith fora-se desenrascando nas ruas. Após uma infância perturbadora, é em Montamarte, Paris que ruge sobre a sua alma atormentada.
Aqui começa a fama, os encontros, a dor, o ócio, as vozes e os fantasmas. As suas quebras de loucura temperamental já caracterizavam o humor de Piaf muito antes da dependência de drogas e estupefacientes derivados, mesmo assim apaixonou-se, fez pela vida, sorriu ao amor, não descansara. Faleceu devido ao excesso, estava numa debilitação sem retorno. Uma biografia brilhante de Olivier Dahan com Marion Cotillard, Sylvie Testud, Palcal Greggory e Gérard Depardieu. Um tributo de valor real.

Ilha das Flores

A causa da existência da ilha das flores está neste documentário de apenas 13 minutos. Obra Cinematográfica datada 1989 do autor Jorge Furtado. Uma exploração descritiva em todas as suas justificações que sustentam o “porquê de”. Recomendo.

e o dia chegou...

... em que acabei de ver “Friends”. Também tal como li à quatro anos atrás no Cinema Notebook, aqui ficam as palavras que nunca soube escrever sobre esta serie: 

"Acabei, finalmente, de visualizar a décima e última época de Friends, a incontornável sitcom de David Crane e Marta Kauffman, e um enorme vazio apoderou-se de mim. A ideia de que possivelmente nunca mais poderei ver um episódio novo de Friends é simplesmente demasiado difícil de conceber.

O humor de Friends nunca teve a inteligência diabólica de Arrested Development ou a ironia mordaz de The Office, e nunca, por um momento, necessitou delas para ter sucesso. O seu maior trunfo foi sempre outro: um sexteto de personagens tão intensamente apaixonantes, tão simples e únicas, tão icónicas, que por si só carregariam qualquer série às costas. Ao longo dos anos, essas personagens cresceram, iniciaram e acabaram relações, saltaram entre empregos e viveram aventuras memoráveis, mas nunca se separaram e nunca deixaram de, no fundo, serem as mesmas pessoas imperfeitas mas ainda assim imediatamente adoráveis do início. Pelo meio, geraram um leque impressionante de running gags – os divórcios de Ross, o sarcasmo na ponta da língua de Chandler ou o How you doin’? de Joey – e imprimiram a sua marca na cultura popular como poucas.

Quando comecei a ver Friends, já há algum tempo que a série havia terminado a sua emissão original. Como tal, posso apenas imaginar como terá sido conviver com a mesma semanalmente, durante dez anos, desde o seu início, em 1994, até o final em 2004, e como terá sido difícil para os que o fizeram abandonar as personagens cujas vidas acompanharam durante uma década. Vi toda a série num período de pouco mais de um ano, durante o qual Friends se transformou de curiosidade em vício compulsivo – de tal forma que nutro um grande carinho mesmo pelas menos fortes últimas épocas, que culminaram numa algo decepcionante series finale. Porque nunca foi nem nunca será feito nada como Friends. Porque Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer nunca deixarão de ser Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross. E porque todos eles serão também, para sempre, meus amigos."


Por Fábio Jesus em Os Novos Pornógrafos