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Pessoalmente é-me um pouco difícil analisar “Alice in Wonderland” fora do seu pretexto existencial, isto é, falando em segunda pessoa, a autora deste blog tem uma profunda admiração pela história de Alice e de todos os significados subliminares (ou não) presentes no País das Maravilhas. Mas deixemo-nos de romantismos (ou pelo menos tentar). A versão de Tim Burton debruça-se sobre a obra de Lewis Carroll de uma maneira interessante e ao mesmo tempo, um pouco desesperada. Tal como milhares de pessoas em todo o mundo esperei ansiosamente por este filme por achar demasiado perfeita a combinação de Tim Burton e “Alice no País das Maravilhas” (a qual também tinha tudo para dar errado). A verdade é que esta nova versão, vê-se, observa-se e deslumbra por todos os poros mas não absorve, nem um bocadinho, com excepção da luta subjacente que percorre todo o filme: a afirmação de Alice nas suas decisões e o seu crescimento interior ao encarar desafios.


Quanto à representação em si achei de uma maneira geral todos os actores se mantiveram a um mesmo nível de coerência na sua personagem, tanto Mia Wasikowska como Anne Hathaway, a Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Crispin Glover, Matt Lucas, às vozes de Stephen Fry, Michael Sheen, Alan Rickman e Paul Whitehouse estiveram bem. Contudo, este não chega sequer a ser um filme classificado como Burton, possui os detalhes e texturas mas não o esqueleto necessário para se aguentar. Obviamente que podemos pôr na mesa várias teorias da conspiração, tais como: “como o filme foi encomendado pela Disney, possivelmente não deram espaço suficiente a Tim Burton”, “Deveriam ter tratado melhor da parte final da história”, etc etc. Se quiserem acrescentar mais uma ou duas teorias, be my guest.
Acredito que “Alice in Wonderland” seja para dois tipos de público (só para sincopar um pouco a audiência), para quem gosta extremamente de filmes categorizados como aventura/fantasia e para quem gosta do conto ou até do filme de animação de 1951 (também da Disney), respeitando que cada obra pertence ao seu tempo, claro. Por fim, ponderando a aceitação de inúmeras adaptações, esta não se destacou como o prometido mas (inexplicavelmente) também não me desiludiu de todo.
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