Aquele Querido Mês de Agosto

O mês de Agosto no Portugal profundo tem outro sabor, outra cultura; festividades atravessam as pequenas aldeias de lés a lés. Todas elas são bem populares como a velha tradição as concebeu, da noite faz-se festa, baile, bebe-se cerveja e vinho, conversa-se, engata-se, enquanto os imigrantes cruzam-se com gente da terra. Tânia e o seu pai, o senhor Domingos (Joaquim Carvalho), constituem uma banda de música popular, como todos os anos, o negócio vigora pelo interior do país na época alta mas desta vez, Tãnia (Sónia Bandeira) decide convidar o seu primo Hélder (Fábio Oliveira) para ser baixista da banda. De aldeia em aldeia, os dois primos vão descobrir algo mais para além dos interesses em comum e uma nova perspectiva da vida.

Como todos nós sabemos, o Verão é sempre inesquecível e o mês de Agosto é o ponto mais alto da estação. Nos primeiros minutos do filme de Miguel Gomes conseguimos elaborar um retracto social do interior de Portugal, em particular das festas destas pequenas povoações que influenciam vivamente todo o espírito místico da aldeia. Aqui deparamo-nos com o género documental no filme, isto é, um registo verdadeiro de quem fez da aldeia o que ela é hoje. Quando passamos para a ficção, a geografia deste mundo social que tanto retracta o Portugal rural torna-se mais palpável, mais real. A proximidade do espectador em relação à história do filme e às personagens é-nos entregue pela simples forma de uma paixoneta de Verão. Toda a adolescência de Tânia e Helder vê-se circunscrita num mês quente, onde as pessoas dançam, cumprem-se as tradições e a vida segue como o rio Alva.

Sempre com muita música e fanfarra, este trabalho da autoria de Miguel Gomes não só reflecte uma cultura não globalizada como obriga o espectador português a rever-se nas suas raízes e principalmente a auto-avaliar-se. Não só como cidadão europeu mas como ser humano no mundo porque afinal, se formos a algum lado temos de nos relembrar quem somos, de onde viemos.


Enviar um comentário