Spring Break

Uns foram pa Lorett, outros vão para Andorra, ainda ouvi alguém dizer que ia a Cuba… eu vou para Espanha e depois, um bocadinho em África (mas só em Marrocos). Ali ao lado ficam as estreias desta e da próxima semana. Boas Férias.

Juno

From the Oscar winner Diablo Cody, em parceria com Jason Reitman nos é servida uma receita invulgar que funde comédia, culto e claro, drama. Fundindo a gravidez na adolescência, contrastando com a reacção da sociedade, os resultados são notórios (apesar de muitos considerarem a cena em que Juno (Ellen Page) conta aos pais que está grávida ser completamente ficcionada… na minha opinião a reacção dos pais de Juno devia ser exemplar, aquilo sim é enfrentar um touro pelos cornos, não é desatar aos berros, nem fazer escândalo. Parabéns a Diablo Cody por escrever maravilhosamente bem). Dispensando as nomeações e os prémios de múltiplos festivais, este filme vale por si próprio. Contem comigo na estreia de um filme realizado por Jason Reitman ou escrito por Diablo Cody. Isto sim, é cinema actual. 5 Estrelas.

Love Actually


Inundado de sensibilidade, beleza e humor, esta comédia romântica é uma das melhores da década. Em Londres, contando decrescente os dias para o Natal desencadeiam-se mais de 10 histórias encruzilhadas, cada uma expressa uma história de amor +/- complicada. Desde a relação entre o escritor e a mulher-a-dias ao primeiro-ministro e a secretária, ao padrasto e o miúdo de 11 anos, o amor tem força própria… o amor acontece. A partir da Working Title Films, a mesma equipa e produção de “Nothing Hill”, “Four Weddings and a Funeral” e “The Diary of Bridget Jones”, brindo-nos no Natal de 2003 esta maravilhosa obra cinematográfica, realizada pelo estreante Richard Curtis, o qual também escreveu o guião. O filme que celebra o estado “in love” transborda de caras conhecidas por todos nós: Hugh Grant, Liam Neeson, Colin Firth, Laura Linney, Emma Thompson, Alan Rickman, Keira Knightley, Lúcia Moniz, Bill Nighy, Rowan Atkinson, Rodrigo Santoro, Martin Freeman, Andrew Lincoln, Martine McCutcheon e Thomas Sangster. Um filme inesquecível, comovente, onde a mensagem de amor não é exaustiva, inova-se e progride ao longo de 2 horas de filme (o único que observei até à data que conta com imagens das chegadas do aeroporto – só por isso - 5 estrelas).

Sometimes life brings some strange surprises

Escrito e realizado por Jim Jarmush, o seu último filme, recebeu o grande prémio do festival de Cannes em 2005. Bill Murray é Don Johnston, um celibatário inveterado; um dia recebe uma estranha carta cor-de-rosa, informando que o paradeiro do seu filho anda à procura do pai. Numa tentativa de encontrar o filho a mulher que engravidou há 20 anos, Don analisa os seus antigos relacionamentos com as várias namoradas. Com a ajuda do vizinho, este planeia-lhe uma viagem de porta em porta, em busca de uma possível família. O acaso, a sorte, a coincidência, estes elementos adicionam algo à textura da vida, algo que este realizador tenta transmitir nos seus filmes, defendendo a sua filosofia de vida. No caso de “Broken Flowers”, resume-se à sua teoria do caos: as coisas não acontecem de forma racional, mas sim de forma emocional, aleatória, através das misteriosas conexões que temos com as pessoas à nossa volta. Filosófico. Um filme raro.

Unlock your imagination

Nos últimos 100 anos, a história de Peter Pan é um dos contos mais encantadores de todos os tempos mas antes que realçar este brilho do legado de Peter Pan, comecemos pelo princípio.
Londres, 1903, James Mathew Barrie, encontrou numa família de 4 rapazes, filhos de uma senhora viúva, a inspiração incansável para a sua nova peça na altura “Peter Pan”. O menino que não queria crescer foi pela 1ª vez exibido num teatro em Londres no dia 27 de Dezembro de 1904.


A partir daí, para além da peça original de Barrie, “Peter Pan” foi reinventado sobre a forma de obras literárias, musicais e até um filme animado da Disney… até 2003. Há 5 anos, P.J. Hogan baseou-se na peça e no guião original do senhor James Barrie para realizar “Peter Pan”, este seria a 1ª adaptação fiel e integral do clássico ao grande ecran. A história já todos nós sabemos, porém, para quem apenas viu a versão da Disney (isto em cinema, as peças de teatro e musicais costumam ser fieis à masterpiece de Barry) aconselho a verem a versão original (a meu ver, esta versão de 03 faz todo o sentido como sendo a original). Com Jeremy Sumpter, Jason Isaacs e Rachel Hurd-Wood, a adaptação de um clássico perdura ao longo dos tempos, o melhor de tudo, sendo catalogada como uma história para crianças, é tudo menos isso… à medida que assistimos à mesma história, conforme a realidade em que vivemos, a percepção sobre lendas e mitos transfigura-se, criando uma metáfora, isso deixo para que cada um dos espectadores interprete à sua maneira.


Curiosamente, um ano depois, “Finding Neverland” seria a longa-metragem que documentava o nascimento de Peter Pan, com Johnny Depp, Kate Winslet, Dustin Hoffman, Julie Christie e Freddie Highmore. O realizador Marc Forster transpôs a peça de Allan Knee, “The Man who was Peter Pan”, documentando o percurso do escritor escocês, considerado actualmente, um visionário para além da nossa imaginação.


Nomeado para os Óscares e ganhando um deles (Melhor Banda Sonora), faz com que soltem elogios ao retracto de Barry, o autor de um clássico único, universal e de uma frase muito relembrada pelos admiradores dos seus feitos: “I do believe in faires” – a frase com a mais pura inocência. A lenda perdura na nossa imaginação, o legado continua a contagiar várias gerações. Intemporal. 4 Estrelas para os dois filmes.

ainda sobre Robert De Niro... um actor multifacetado


Um dos melhores monólogos de sempre



Uma das pérolas de Martin Scorsese veio à tona, com quase 35 anos, um dos melhores filmes dos anos 70, escrito por Paul Schrader, e das melhores interpretações por Robert De Niro: “Taxi Driver”. Em Nova Iorque, nos anos 70, Travis Bickle tenta recompor a sua vida, após alguns anos na guerra do Vietname, quando a noite já vai longa, este trabalha como taxista. Um dia indistinto do próximo, Travis decide dar uma reviravolta à sua vida, estabelecendo prioridades e mudanças… só que essas, talvez não sejam as mais sãs. O questionamento do factor existencial deve-se ao factor depressivo da solidão, Scorsese ilustra esta sensação através de belas imagens ao estilo dos anos 70, pelas ruas infinitas de Nova Iorque, levando a jovem Jodie Foster a um novo nível de interpretação. Este filme editado recentemente em edição especial para DVD, vale a pena comprar e explorar os pequenos detalhes de uma metáfora: um simples táxi. Já não se fazem filmes como este.

And the Oscar goes to...


Fazendo apenas um comentário sobre o evento monumental de domingo passado, da 80ª cerimonia dos Óscares, não gostei tanto… não sei o porquê da insatisfação, o mais provável é a razão de ainda não ter visto nem sequer metade dos nomeados (devido às estreias tardias em Portugal e não só, claro). O anfitrião – Jon Stewart – não fora nada de mais, sempre com a pinta de não cumprir o politicamente correcto, não preencheu a expectativa desejada de alguns espectadores. Mesmo assim, a selecção da Academia fora recheada de bons momentos e de entregas bem merecidas, “No Country for Old Man” foi o predilecto da noite, arrecadando 4 Óscares – Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Actor Secundário – enfim, bons aspectos para ir ver o filme este fim-de-semana (o que em principio irei fazer… quero perceber o que este filme tem de especial… dos irmãos Coen apenas vi “Fargo” e “the Man who wasn’t There”; ainda me recordo das entrevistas da altura onde os Coen referiam constantemente a impossibilidade do seu trabalho ser compatível com os Óscares… enfim… memórias passadas de quem já tem o Óscar na mão. Nota-se uma maior confiança, neste recente trabalho de Ethan e Joel Coen).

A escolha de Marion Cottilard não me surpreendeu, mas lá no fundo, tinha esperança que Ellen Page a ganhar o homenzinho de Ouro; o mesmo se aplica à categoria de Melhor Actor, não é que desgoste Daniel Day-Lewis, até pelo contrario… mas, eu e tantos milhares de fãs, ainda estamos para ver o dia em que o nome de Johnny Depp vem dentro do envelope. Nas sub, se o Óscar não tivesse sido entregue a Javier Bardem “era quase um crime”, entretanto Tilda Swinton ficou muito grata por ter sido a escolhida, merece concerteza, ela não é apenas a bruxa má das Crónicas de Nárnia. Por fim, nem comento a escolha de “Ratatouille”, que era bastante óbvia, escolha a difícil foi a de melhor Banda Sonora, contudo “Atonement” realmente o merece, tal como Diablo Cody, que apesar do recente Óscar por Melhor Argumento Original, espero que ainda escreva muitas e boas historias para o grande ecran. Para mais comentários clika aqui; para veres a lista completa dos nomeados/vencedores clika aqui; para mais vídeos desta e de outras cerimónias aqui fica o espaço dos Óscares no youtube.