Hable con ella

Por amor faz-se qualquer sacrifício… e cometem-se as maiores loucuras. O filme “Hable con ella” realizado por Pedro Almodóvar consegue aliar as sensações e emoções que nos comovem profundamente. Estes sentimentos são complemento de universo feminino que sempre ocuparam os filmes de Almodóvar, as mulheres que tem vindo a retratar nos seus filmes, tornaram-se conhecidas pela expressividade com que se relacionam com o mundo e com os outros. Mas desta vez, as mulheres são vistas pelos olhos de dois protagonistas masculinos.
Benigno e Marco, dois desconhecidos que acabam sendo amigos pela ironia do destino: enquanto esperam com toda a esperança possível as mulheres por quem estão apaixonados – Alicia e Lydia – saírem do estado de coma, acabam por ter uma afinidade mútua. Apesar de serem amigos, Benigno e Marco, possuem ideias bastante distintas no que toca ao amor: Benigno possui uma espécie de amor platónico por Alicia, Ela é, no fundo, ele mesmo. Alicia encarna tudo aquilo que Benigno considera perfeito numa mulher; Marco em contrapartida, após o acidente da sua amada, não consegue esclarecer os seus sentimentos da relação com Lydia, e começa a ter dificuldades em lidar com ela estando numa cama de hospital. Ambos só podem fazer uma coisa enquanto esperam que acordem: falar com elas…
Mais tarde, Lydia acaba por morrer deixando Marco perturbado, não só pela sua morte mas também por ela ter reatado a relação com o ex-namorado antes de falecer, sem que Marco soubesse. Ainda no hospital, outra tragédia acontece, descobre-se que Alicia foi violada e se encontra grávida. Todos os factos apontam para Benigno como principal suspeito, o que de facto, é a verdade. Benigno é preso e suicida-se após alguns dias atrás das grades, leva para a morte a ilusão que teve em vida: a felicidade junto de Alicia, que suponha em coma. O que ele não chegou a saber é que foi ele mesmo que a salvou, despertando-a de novo para a vida, devido à gravidez.
O ambiente melodramático consegue mostrar a amizade de dois homens, tão diferentes entre si, que partilham a mesma dor, a mesma raiva e conseguem complementar-se/compreenderem-se mutuamente. Almodóvar cativa o espectador mostrando subtilmente as mentes das suas personagens, tornando filme inquietante pela forma de como dirige a simplicidade das emoções tão primitivas dos dois protagonistas, principalmente o sentimento inexplicável designado pela palavra: amor.

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